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A Tradição Cumpre-se...
Escrito por Pedro Farinha   
13-Jan-2009

Janeiras
Foto do grupo de Janeireiros tirada em 2008
A noite estava fria e convidava a um serão no aconchego da lareira. Mas à hora e local marcados, todos nos reunimos como de costume para mais uma vez cumprirmos a tradição de cantar as janeiras.

Começámos cerca das 18:30 do passado sábado, dia 10 de Janeiro. O local de encontro como sempre foi no fundo do povo da Murteira. Para que não faltassem nem as forças nem a voz começou-se com uma pequena bucha para enganar o estômago e ganhar ânimo para um longo serão pelas ruas do Pergulho e da Murteira.

A mensagem, já conhecida de todos os que têm algum tipo de ligação a estas duas aldeias, é a mesma desde há muitas gerações a esta parte. As vozes são certamente diferentes das de outros tempos mas a vontade e o empenho em manter esta tradição de pé, mantêm-se ano após ano.

Como é habitual desde alguns atrás cantámos alternadamente “As Almas” e “Os Reis”. Nos locais habituais, estas duas letras são cantadas por dois grupos de homens que cantam alternadamente cada verso, de forma a todos os habitantes ouvirem um pouco das nossas vozes. Munidos de uma simples saca de serapilheira e sempre de boa disposição e simpatia, cada janeireiro faz-se anunciar a cada porta com a frase já tradicional, “ – Esmola para as benditas almas, se quiser ou puder!” O morador ou moradora depressa nos recebem com o simpático boa noite e trazem então aquilo que têm para oferecer, pão, batatas, fruta, mel, enchidos, carne de porco, vinho, água ardente, cereais, feijão, grão, queijo, produtos hortícolas, etc.. Hoje em dia, com a produção de todos estes géneros em quantidades cada vez menores, os nossos habitantes optam cada vez mais por oferecer algum dinheiro.

Nesta e naquela casa, somos convidados a entrar e beber um copo, acompanhado da chouriça assada, do queijo e do pão caseiro, muitas vezes cozido no próprio dia. A conversa é sempre animada por histórias e saudosas recordações de anos anteriores. Antes de nos despedirmos de cada lar que nos convida a entrar, há sempre espaço a uma pequena oração por janeireiros falecidos, pertencentes à família ou pelos defuntos dessa mesma família. Este momento de oração é sempre anunciado por um elemento dos janeireiros que diz “ – Rezemos um Pai Nosso por alma de quem aqui faltou”. Depois da oração a despedida de cada casa onde recebemos a esmola é feita com: “ – As almas lhe aceitem uma grande esmola!” ao que o morador responde “ – E a vós as vossas passadas!”.

A noite segue sempre animada e as duas aldeias são percorridas lentamente.

Toda esta jornada culmina com o cantar d’“Os Reis” pela última vez junto à capela de São Marcos, seguida de uma pequena oração por todos os que tendo sido janeireiros, já partiram deste mundo.

Mais um ano em que a tradição de cantar as janeiras se cumpriu no Pergulho e na Murteira.

Se Deus quiser, para o ano que vem tudo se repetirá da mesma forma, e o convite fica feito a todos, para que se juntem aos janeireiros e apareçam para cantar as janeiras, contribuindo assim para ajudar a manter a tradição.

Um abraço a todos!

JaneirasClique para descarregar o ficheiro audio - "Os Reis"


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