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Uma Flor Preciosa - Filha do Pergulho
Escrito por Irmã Margarida Maria   
02-Mar-2009

Dona Isilda Alves Catarino é a preciosa flor de que hoje quero falar a todos os descendentes de Pergulho - Murteira.

Nasceu no Santo, muito perto da Igreja que antes de 1958 era mais abaixo; nenhuma outra casa separava a capela da sua e é como se o perfume do Sacrário chegasse até àquela família exemplar e penetrasse mais profundamente na alma da primogénita; tanta coerência cristã ela teve desde a mais precoce juventude!

Filha do ti Adolfo Catarino e da ti Virgínia Alves, que era uma santa e soube educar nos verdadeiros valores humanos e divinos. Irmã da que foi nossa professora durante bastantes anos e da ti Neves que ainda hoje vive nessa casa e de que já falei anteriormente quando referi os heróis do Pergulho. Nasceu o dia 6 de Julho de 1921 e faleceu com apenas 39 anos a 13 de Fevereiro de 1960 vítima duma leucemia.

Conheci pouco a D. Isilda quanto a convivência, pois só a via algumas vezes no ano quando, no verão, vinha passar uns dias à terra; mas sei dela o que ouvi contar à sua mãe, irmãs e outras pessoas e que passo a referir para exemplo de todos e para que não se perca a lembrança desta grande (santa) filha da nossa terra.

Muito cedo começou a fazer as suas caminhadas a pé até à vila, para assistir às reuniões da então nascente Acção Católica, na qual foi zeladora. Sua companheira mais habitual e fiel era sua prima a D. Idalina filha do ti Morgado da Murteira que casou para o Labrunhal e que hoje ainda vive e é a mãe do professor e Diácono Daniel Catarino. Estas duas raparigas, fervorosas e cheias de zelo pela salvação das almas, faziam às vezes grande parte do caminho descalças para fazer sacrifício a fim de conseguir a conversão dum casal das Pernadas que não estavam casados pela Igreja. Para as Pernadas se dirigiam muitas tardes de Domingo, para falar com eles e de lá voltavam com os sapatos na mão que calçavam um pouco antes de chegar a casa para que o seu sacrifício ficasse oculto. Correram para as Pernadas até que conseguiram que se casassem como Deus manda.

Era também a catequista de quase todas as crianças que então havia. E preparava-as tão bem que depois iam à vila a examinar-se de catecismo no meio da igreja Matriz e toda a gente a ouvir as respostas e nunca ficou envergonhada com os resultados de suas alunas. Aprendiam de cor o antigo e belo e eficaz catecismo de Pio X.

Ainda à pouco uma sua antiga aluna de catequese testemunhou que ainda se lembrava bem da sua catequista Isilda e daquele olhar celeste que nunca se zangava, parecia um anjo etc.

Depois a nossa Isilda casou com seu primo Mário e foi viver para Lisboa. Nasceram-lhe as filhas Anabela (a Belita) e a Julieta e pouco depois foi-lhe declarada a terrível doença que muito a fez sofrer, mas que sempre aceitou com grande coragem. Eu nunca a conheci com saúde. Muitas vezes passava na cama os poucos dias que vinha desfrutar do aconchego da sua casa. Mas sempre a vi com um doce sorriso e um olhar meigo que transmitia paz, quando passava à sua porta ou a encontrava caminhando a custo para fazer uma visita ao Santíssimo. Lembro uma vez que a fui visitar na cama. Só disse que nesse dia estava pior, mas sempre a mesma paz e aquele levar sempre a conversa para Deus, para aceitar a sua vontade que é o melhor para nós. Segundo o testemunho de sua mana a nossa ti Neves, ela os dias que estava mesmo mal dizia que estava bastante mal mas logo que melhorava um pouco dizia logo: “hoje estou boa de todo”!

Contou-me a sua mana D. Conceição que ela uma vez lhe disse que tinha tido uma visão e Nossa Senhora revelou-lhe que ia morrer quando a Belita tivesse 8 anos e a Julieta 4 e assim aconteceu. A sua mana ficou impressionada e pediu-lhe que nem lhe falasse de morte; mas ela animou-a dizendo que reparasse como tinha morrido a tia delas, primeira mulher do ti Morgado, D. Conceição, e como todos os filhos foram avante etc. palavras de santa!

Como já referi, foi curta a sua vida mas, bem se lhe aplicam as palavras do livro da Sabedoria 4,7-15 “O justo, ainda que morra prematuramente, terá repouso. A velhice respeitável não consiste numa vida longa, nem se mede pelo número dos anos... a verdadeira longevidade é a vida sem mancha (...) Chegado à perfeição em pouco tempo, o justo completou uma longa carreira. A sua alma era agradável ao Senhor; por isso Ele Se apressou a tirá-lo do meio da iniquidade. Os povos viram, mas não compreenderam, nem reflectiram neste facto: a graça e a misericórdia de Deus são para os seus eleitos, a protecção de Deus é para os seus santos.”

Foi longa a citação, mas espero que todos nós, os descendentes do Pergulho, compreendamos que uma vida assim é que vale a pena e os mais jovens que nunca conheceram a D. Isilda comecem a amá-la e, porque não? a encomendar-se a ela!

Isilda agora que estás no Céu volta a olhar para o teu Pergulho, intercede por tantos que hoje, infelizmente, não querem casar como cristãos e vivem, dizem que juntos, talvez porque não querem usar o termo pejorativo de chamar-se amantes ou amancebados, mas os nomes não mudam a substancia das coisas!!! Querida Isilda, no teu tempo só existia assim um casal naquelas redondezas; hoje são tantos! Olha para nós com muita compaixão e piedade, intercede para que os filhos do teu povo sejam mais coerentes com a fé que lhes foi transmitida. Estende as tuas asas puras sobre nós e livra-nos da corrupção da mente que nos leva à incoerência da vida.

Perdoa que te trate de tu, nunca o fiz nem faria nesta vida; mas não sei porquê, parece-me que agora junto de Deus, toda divinizada, não queres que te trate doutra maneira.

Minha linda Flor, pede a Deus uma bênção para a pequena pastorinha Idalina a quem sorrias e que agora se chama a irmã Margarida Maria, do Convento de Santa Beatriz em Viseu e tem todo o gosto de poder falar de ti aos nossos conterrâneos.

contacto: oicviseu(arroba)clix(ponto)pt

 

 


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